Brasil e Panamá impulsionarão produção de álcool para exportação

Panamá, 29 mai (EFE).- Panamá e Brasil acordaram hoje desenvolver projetos conjuntos para a produção de álcool e outros combustíveis alternativos, que poderiam ser exportados para os Estados Unidos.
O acordo foi obtido em reunião entre os vice-presidentes panamenhos e vários ministros do país centro-americano com membros de uma delegação comercial brasileira liderada pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, que ontem iniciou uma viagem pela América Central.
"O Governo e empresas brasileiras poderão trabalhar em nosso país em áreas como biocombustíveis, álcool e energia alternativa", informou à imprensa após a reunião na Chancelaria o primeiro vice-presidente e chanceler do Panamá, Samuel Lewis Navarro.
"Já foi possível concretizar um programa de trabalho" nesse âmbito, declarou o funcionário, que apontou que esta é uma oportunidade para "poder exportar esses combustíveis a partir do Panamá rumo ao mercado dos Estados Unidos" e de outros países.
O Panamá promoverá a "transformação" de sua indústria açucareira para a produção de álcool e também impulsionará a obtenção de biodiesel, acrescentou, ao informar que os outros acordos são destinados à criação de infra-estrutura e à aceleração dos trabalhos para que o Brasil crie um centro de distribuição no país.
Sobre este último assunto, Lewis Navarro comentou que há uma grande base montada, porque na Zona Livre de Colón (Caribe) e em portos panamenhos "já existe um grande volume de redistribuição de produtos brasileiros, especialmente de nível pesado".
O ministro Furlan explicou que a delegação brasileira tem quatro objetivos principais na sua visita a Panamá. O primeiro deles é "conhecer melhor oportunidades de cooperação para empresas do Brasil dentro do projeto de ampliação do Canal" interoceânico.
A missão brasileira visitou ontem as comportas de Miraflores, na entrada da via aquática pelo Pacífico, e hoje se reuniu com funcionários da Autoridade do Canal do Panamá para receber mais informações sobre a proposta de expansão.
Furlan disse que os outros objetivos são impulsionar a cooperação em biocombustíveis, o estabelecimento do centro de distribuição de produtos e conhecer as possibilidades de investimento no Panamá. "O Brasil já tem uma experiência de mais de 30 anos na utilização de álcool, e o Panamá tem cana de açúcar, engenhos, além da possibilidade de reduzir sua dependência de petróleo importado, que atualmente está muito caro", comentou o ministro.
Furlan destacou que a viagem, que reúne representantes de 50 empresas brasileiras, está sendo realizada por "uma determinação do presidente" Luiz Inácio Lula da Silva de impulsionar a aproximação com a região.
Da reunião com Furlan e os principais funcionários e dirigentes empresariais que integram a missão brasileira participou também o segundo vice-presidente e administrador da Autoridade Marítima do Panamá, Rubén Arosemena.
Os empresários brasileiros assistiram também a um seminário sobre oportunidades de negócios entre Panamá e Brasil, e Furlan e os demais almoçaram com o presidente panamenho, Martín Torrijos.
A missão segue hoje do Panamá à Costa Rica. Na quarta-feira estará na Guatemala, na quinta e na sexta-feira em El Salvador e no sábado encerra a viagem pela região em Honduras